domingo, 14 de setembro de 2014

A CULTURA ALIMENTÍCIA NA REGIÃO DE VITÓRIA DA CONQUISTA, BAHIA: RESGATE, ELABORAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE DOCES ARTESANAIS


Introdução

A presente proposta visa resgatar a cultura da região em torno de Vitória da Conquista, por meio da alimentação considerada, como reveladora de algumas de suas particularidades. Concretamente o trabalho se estrutura em dois grandes eixos que se completam.  Prever resgatar por meio de diferentes fontes tipo e preparo de alimentos, prioritariamente doces artesanais, ação que permeia toda a execução da proposta, devendo ser sistematizado e divulgado os resultados alcançados.  Associado a isso, a sua operacionalização prevê seleção de grupos de mulheres em condições sociais e econômicas desfavoráveis que deverão se organizar referendadas em princípios de participação, economia solidária e empreendedorismo e, serem capacitadas via metodologias participativas em: noções fundamentais ao projeto;  treinamento em informática direcionada, noções de organizações sociais juridicamente cabíveis e, principalmente em elaboração e comercialização de doces selecionados coletivamente como forma de adquirir alguma renda vislumbrando uma potencial melhoria na qualidade de suas vidas.

Vale a pena ressaltar que o universo será processualmente definido, pleiteando desde o município e a cidade de VCA até a região sob sua influência. A ideia é propor a realização das ações concomitante e alternadamente a setores como: associações agrícolas, povoados, distritos, associação de bairros destinando-se especificamente as mulheres representadas em cada um deles, dependendo da aceitação, interesse e ‘colaboração.

Ponto de partida

O despertar da presente ideia, inicialmente, teve e tem o livro da Professora Amélia B. de Souza, “A Alimentação no Planalto de Conquista (1930 A 1950)”, legado de extrema importância expressa na valorização da alimentação como um traço cultural dos mais significativos de uma dada realidade regional. Nele está contida série de receitas de variadas comidas, interessando-nos, nesse momento, a descrição de apenas algumas receitas de doces (em anexo). Além desta importante fonte, o levantamento das receitas iniciais se deu via relato de experiência de uma senhora que representa um arquivo vivo da culinária conquistense, apelidada de Dodô. Ela foi e ainda é o braço direito da família da matriarca Olívia Flores. Segundo seus relatos quando esta senhora viveu, participou efetivamente da política conquistense, cabendo a Dodô a responsabilidade de preparar alimentos, não raras vezes, para grande número de pessoas desde os políticos, até os eleitores que chegavam de diferentes lugares e se apoiavam na casa dessa renomada senhora da história conquistense. Por outro lado, membros da própria família, suas práticas culinárias contribuíram para a constatação e exercitação preliminar da elaboração e comercialização como ação de grande potencial em vários aspectos, particularmente, na geração de alguma renda.

A seleção preliminar de algumas receitas teve como base, aspectos como facilidade na elaboração, acesso fácil dos insumos utilizados e, outros como a praticidade, exotismo e perenidade observadas. Vale salientar, por exemplo, o doce jenipapo, que vem demonstrando (ao longo da experiência) o quinhão de possibilidades nada desprezíveis. É possível aludir que ele dispõe de tais características, perfazendo no que genericamente se reconhece como seco, de fácil armazenamento, conservação, transporte, passível de utilização de selos artesanais, estando fora da mira dos órgãos de fiscalização, como ocorre, por exemplo, com o doce de leite pastoso.

É importante destacar que a prática e observação de receitas concebidas anteriormente (por mulheres do início do século XX) se encontram na base daquelas experimentadas hoje, sofrendo, todavia, adequações postas em práticas por doceiras mais modernas, levando em conta o contexto mais contemporâneo em que nos inserimos. Exemplo disso é o ato de se reduzir quantidades de açúcar, de ovos etc. Em outras palavras, as doceiras de hoje dominam, dialogam e incorporam princípios fundantes das receitas mais tradicionais, produzindo, dialeticamente, novas roupagens quando pertinentes.

A proposta se justifica pela possibilidade de intervir/contribuir com uma realidade sócio-espacial carente nos seus mais diferentes níveis, não apenas num plano material e imediato, mas, sobretudo, no referente ao plano das ideias e entendimentos do contexto de vida que estão inseridos, deficiências estas resultantes de uma correlação de fatores instaurada no decorrer da história brasileira que não vem ao caso adentrar neste momento.

Vale ressaltar, ainda, que a ideia é dota-lo de caráter permanente iniciada com grupos de mulheres de Vitória da Conquista, mas almejando mulheres de municípios integrantes da região aludida.

 

Alguns conceitos

A participação é uma das dimensões da democracia. Só se aprende a participar participando. Para garantir uma prática social participativa é necessário abrir espaços para que os indivíduos apresentem suas ideias, troquem experiências e construam propostas que representem a síntese dos interesses desejos opiniões e competências do grupo.  A participação não é um sonho simples e exige esforço. A maior dificuldade em sua complementação é o ranço do acreditar que quem pode ou deve resolver os problemas e tomar decisões são os mais sábios, os mais ricos ou os mais fortes. É necessário que o processo participativo inspire confiança, infundindo nos participantes a ideia de que todos sairão ganhando.

Ao empreendedorismo é atribuído à percepção e exploração de novas oportunidades, no âmbito dos negócios, utilizando recursos disponíveis de maneira inovadora, onde empreendedor e inovação interagem, totalmente. Numa síntese das várias teorias da literatura o empreendedor é visto como “uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões”. Os empreendedores são ainda, competentes em buscar, utilizar e controlar recursos possui iniciativa, autonomia, autoconfiança e otimismo. Visto por ouro lado, empreender aqui nada tem a ver com dom, capacidade, opção, mas como única alternativa, obrigatória quando se sente acuado, sem poder se dar ao luxo de ter vergonha, medo, ser pessimista, acomodado e sim cavadores de oportunidades e solucionadores de problemas e demandas.

A Economia Solidária, por sua vez, remete à questão da cooperação, da solidariedade, da participação, do associativismo, da partilha, de laços de confiança, dentre outros. Ela orienta-se aos problemas sociais gerados pela globalização, mas também é reconhecida como fundamento de um desenvolvimento sustentável, socialmente justo e voltado para a satisfação racional das necessidades de cada um e de todos os cidadãos, significando práticas de relações econômicas e sociais que, de imediato, visam propiciar a sobrevivência e a melhora da qualidade de vida de milhões de pessoas em diferentes partes do mundo (MANCE,2002). Pressupõe uma visão integrada das dimensões sociais. Remete inevitavelmente à questão da cooperação, da solidariedade ou do capital social, pois citando Martins: “O verdadeiro diferencial do desenvolvimento local não se encontra em seus objetivos (bem-estar, qualidade de vida, endogenia, sinergias etc.), mas na postura que atribui e assegura à comunidade o papel de agente e não apenas de beneficiária do desenvolvimento. Isto implica rever a questão da participação” (MARTINS, 2002, p. 52). A participação mencionada por Martins não deve e não pode se limitar a envolvimentos esporádicos e parciais. É com esse entendimento que o autor declara que “o caráter necessariamente participativo e democrático é o verdadeiro ‘calcanhar de Aquiles’, uma vez que a participação é de fato uma conquista a ser empreendida individualmente por cada pessoa, num processo em que cada vez mais ela se torna cidadã” (MARTINS, 2002, p. 52).

Recursos metodológicos

Mobilizar e sensibilizar setores sociais visando a seleção do grupo (s) a ser trabalhado

Construir um cronograma-agenda de trabalho coletivamente

Discutir conceitos indispensáveis à execução do projeto, tais como: economia solidária, cooperativismo, integração, instituição jurídica de organismo social, escala local, execução de ideias, amor entre outros.

Realizar um pequeno diagnóstico participativo com vista à criação e caracterização do grupo

Etapas, princípios e domínios que pressupõe a execução do projeto

 

          Formação de grupo

          Pesquisa e divulgação indeterminada de receitas de doces

          Seleção de alguns doces – critérios importantes: facilidade de transporte, durabilidade, processo de fabricação etc. etc.

          Fabricação

          Conservação e apresentação do produto – selo artesanal

          Integração a diferentes redes desde as relacionadas a fabricantes de produtos similares, quanto a de economia solidária, de empreendedorismo feminino, canais possíveis de venda.

          Venda em si – diferentes possibilidades.  Consolidação de  rede de comercialização  com  estrutura de comunicação eficiente - Ideias para comercialização: identificar e entrar em contato com grupos sociais que desenvolvem atividades similares; criar home Page da atividade; entrar em contato com empresas nacionais e internacionais utilizando o argumento de socialmente justo; estruturar barracas – pontos de vendas em diferentes localidades e cidades da região; sensibilizar e tornar público a responsabilidade de Buffet no tocante a sobremesa com produtos genuinamente regionais; contatar restaurantes, lanchonetes e cantinas escolares; Identificar e analisar etapas práticas do processo produtivo como: planejamento das ações; aquisição de insumos; processamento; apuração de custos, venda em feiras, etc.;

É importante frisar que mesmo sendo as etapas de execução distintas, ora discutindo, posturas, participação, formação de grupo, ora elaborando, estabelecendo redes, pensando em circuitos de vendas, a fabricação, legitimação e revisão de receitas ocorre desde o primeiro momento do projeto.

BIBLIOGRAFIA

MANCE. Euclides André. Redes de economia solidária e sustentabilidade, 2002. Disponível no site: http://www.milenio.com.br/mance/fsm3.htm. Acesso em 19 de setembro de 2005.

MARTINS. Sérgio Ricardo Oliveira. Desenvolvimento Local: questões conceituais e metodológicas. In: Revista Internacional de Desenvolvimento Local. Vol. 3,  N. 5. Campo Grande: UCDB, 2002. 

SOUZA, Amélia Barreto. A Alimentação no Planalto de Conquista (1930 A 1950). Vitória da Conquista: UESB, 1996.

VITÓRIA DA CONQUISTA E REGIÃO: PRÉ-PROJETO DE RECRIAÇÃO DESTE INSTRUMENTO ELETRÔNICO - CONVITE À COMUNIDADE


 Introdução
 O site aqui proposto deriva de experiência pioneira com o blog intitulado Vitória da Conquista e Região (www.regiaovitoriadaconquista.blogspot.com.br) que objetivou e ainda objetiva criar um espaço de discussão em torno dessa realidade, a qual nos parece bastante rica em acontecimentos e ao mesmo tempo pouco assistida se se considera um posicionamento desligado de grupos ou subgrupos quer queira político, empresarial, religioso, entre outros. Ainda mais considerando a dimensão e diversidade, afirmando alguns que compreende uma população de mais de dois milhões de habitantes. Dentre algumas ações a serem implementadas está:  socialização do conhecimento, análise crítica de ações governamentais, atualizando constantemente as concepções e práticas implementadas por ministérios e secretarias  de governo; divulgação de propostas (editais) condizentes com  a realidade; ser um espaço de comentários, de  trocas de informação, de publicidade de trabalhos científicos e não, experiências bem sucedidas,  busca de instituições nacionais (Universidades, órgãos de fomento à pesquisa e extensão, instituições de pesquisas , como a EMBRAPA etc. etc. ) e internacionais; relato de experiências de  segmentos sociais regionalmente constituídos; orientações sobre elaboração de propostas (Contribuição na elaboração do documento) a serem encaminhadas às mais diferentes instituições, pelos atores regionais, a exemplo de prefeituras e  organizações sociais  e, outras que se delinearão à medida que for sendo tomado conhecimento e, por ventura sejam estabelecidas  parcerias diversas .

De forma mais objetiva, propõe-se como links para integrar o site:

·         HOME

·         PUBLICAÇÕES:  teses, dissertações, monografias, projetos elaborados, textos diversos, revisões bibliográficas, trabalhos sobre a região

·         INSTITUIÇÕES: Governamentais ou não, organizações sociais, programas executados e em andamento por município

·         MUNICÍPIOS: indicadores; perspectivas
Objetiva-se alcançar milhares de pessoas tendo em vista que o meio eletrônico é livre para ser acessado por quantos se interessarem. Ainda assim, a ideia é voltar a determinados setores socialmente organizados. Num primeiro momento visa às organizações sociais de agricultores familiares (associações, sindicatos etc.) compreendendo que pelo perfil majoritariamente rural, especificamente da agricultura familiar quando se reporta à região como um todo (ainda que não absolutamente face à população do município polo e macrocéfalo) e que ao mesmo tempo representa um dos segmentos regionais mais frágeis, a identificação de instrumentos como financiamento, pesquisas e publicações, dados e exemplos de experiências exitosas estão na mira das ações que se desenvolverão. Mesmo assim, o leque do público alvo é amplo envolvendo por exemplo alunos e professores pertencentes desde o ensino fundamental até os pós-graduandos das diversas universidades regionais. O empresariado e poder público local não pode ser posto de fora sendo, inclusive, intenção criar um link onde se levante questões, dúvidas e informações específicas às necessidades de cada segmento, de forma a direcionar e potencializar as publicações executadas. Em se tratando do poder público municipal, além de prever a apresentação de indicadores diversos por município, a ideia é está buscando, processualmente, os consórcios e/ou congregações municipais como a AMVAGRA, AMIRS, UPB, CNM identificando as pendências financeiras e documentais que por ventura estejam emperrando o deslanchar de projetos e ou processos cabíveis a cada um deles. Nesse contexto, grupos de jovens, de mulheres também representam focos de atenção. Enfim, como já dito, o público a ser atingido é amplo e, de certa maneira, indefinível.
Assim compreendendo, tanto o público alvo quanto a temática que pretende trabalhar vai depender da interatividade que setores indiferenciados venham estabelecer com o meio comunicacional em apreço.

 Justificativas
As Universidades brasileiras estão calcadas em três pilares: ensino, pesquisa e extensão. Isso quer dizer que além dos cursos de graduação e pós-graduação, essas instituições têm como função sistematizar informação e produzir conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento humano em vários setores da sociedade. Em tais instituições é produzida grande parte da ciência e da tecnologia desenvolvidas no país, existindo grande dificuldade em fazer com que esse conhecimento seja acessível ao público externo (SINGER, 2010)[1].
As Universidades deixam de promover troca de experiências que alimentam novos saberes quando não criam plataformas para a distribuição do conhecimento que produzem ou quando usam sistemas ultrapassados (SINGER, 2010)[2].
Por outro lado muitos pesquisadores deixam de publicar abertamente o resultado de suas pesquisas pelo caráter inédito exigido, reinando, também, um certo medo da cópia, esquecendo que na ciência é a capacidade e a criatividade que contam pontos no resultado de um trabalho. Isso remete, também, a uma colocação ouvida outrora que diz “poucos são os que reconhecem a capacidade de doação na produção do conhecimento”. Esquecem que novos conhecimentos surgem dos estudos de trabalhos que já existem, da troca e ligação de ideias e criação em rede com outras disciplinas (SINGER, 2010)[3].
Ainda conforme essa autora é, também, papel das Universidades na contemporaneidade utilizar a tecnologia disponível para melhorar a distribuição da ciência que já vem sendo produzida há muito, de maneira a assegurar a liberdade do compartilhamento (SINGER, 2010)[4].
Trabalhos de extensão e pesquisa realizados por profissionais dessa instituição e a carência, neste particular, observada na região, aponta um desencontro entre a realidade e a produção científica significativa, mas dispersa. A proposta ora apresentada intenciona reduzir ainda que de forma singela tal fosso.
Essas colocações, em parte, se encontram na base da justificativa da presente proposta, pretendendo, por outro lado, não ser apenas um instrumento de divulgação da produção científica, mas também uma fonte de pesquisa para consulta de estudantes, professores, pesquisadores e cidadãos, bem como um espaço de debate político mais qualificado no que se refere ao acompanhamento sistemático e discussão de projetos públicos e privados que dizem respeito ao recorte regional priorizado.
Quanto aos projetos e políticas públicas a ideia é além de apresentar, identificar as ações realizadas e passíveis de realização na região promovendo análises minimamente qualificada.
E por aí vai acreditando que a instituição desse meio de comunicação voltado, particularmente, para a região seja capaz de permitir grande salto na (re) produção do conhecimento e em sua democratização.
A ação prevista voltada às realidades municipais identificando algumas de suas marcas, problemas e perspectivas deve preencher uma lacuna capaz de tornar público formatos de gestões adotados e, em que medida eles têm emperrado ou contribuído com o desenvolvimento da sociedade regional.

 Pressupostos teóricos
Assim sendo, alguns princípios a norteia. Julga-se pertinente, por ora, tratar, sucintamente, dos conceitos de ciência e cultura; esclarecer o recorte territorial a que se volta, o qual, de imediato, o intitula (Região de Vitória da Conquista) e, tentar mostrar, objetivamente, o significado do tão propalado período técnico-científico.
A influência de Vitória da Conquista recai sobre uma ampla região, perpassando todas as regionalizações instituídas oficialmente. Para burlar tal situação, evitou-se a adoção de qualquer uma delas, recorrendo a uma escala territorial com contornos flexíveis ora abrangendo municípios mais diretamente influenciados ora abrangendo outros mais longínquos, mas que sob um ou outro ponto de vista interdepende com essa cidade. Se tomássemos a Região Sudoeste, por exemplo, estaríamos falando de 39 municípios que contempla os municípios de Jequié e Itapetinga, mas deixa de fora, paradoxalmente, o município de Brumado. As microrregiões geográficas do IBGE, nesse caso a microrregião de Vitória da Conquista, do mesmo modo, não dá conta da influência da cidade, como tantas outras, inclusive a mais contemporânea, oriunda do MDA, divisão em territórios de identidade, contemplando o Território de Vitória da Conquista 24 municípios.
Os conceitos de ciência e cultura são tratados numa vertente mais moderna designando uma maior aproximação do cotidiano das pessoas o que contraria a visão mais erudita. Em seu sentido amplo e clássico, a ciência é um saber rigoroso, isto é, um conjunto de conhecimentos metodicamente adquiridos, mais ou menos sistematicamente organizados, e suscetíveis de serem transmitidos por um processo pedagógico de ensino. Mais modernamente, é a modalidade de saber constituída por um conjunto de aquisições intelectuais que tem por finalidade propor uma explicação racional e objetiva da realidade (JAPIASSU e MARCONDES, 1996, p.43)[5].
Ainda conforme estes autores, a compreensão de ciência não está desvinculada da técnica ou tecnologia voltada à explicação e aplicabilidade em situações reais. Num período precedente a ciência era totalmente desvinculada do plano real restringindo ao nível teórico enquanto saber metódico e absolutamente verdadeiro. “[...]. As ideias científicas não são totalmente independentes da filosofia, da religião e das ideologias que impregnam o meio em que vivem os pesquisadores” (JAPIASSU e MARCONDES, 1996, p.44)[6].
Popper (appud Sposito) defende a utilização ortodoxa do método. [...] procura consolidar a força do positivismo lógico, voltando a uma postura cartesiana de ciência. [...] Feyerabend, por sua vez, pensa de uma maneira exatamente contrária. [...] o rigor metodológico é muito mais um problema que um caminho para a produção científica (SPOSITO, 2004, p. 50)[7].
A técnica por outro lado define-se como um conjunto de procedimentos utilizados em busca de certos resultados que, também nesta proposta é entendida tanto como resultante de um conhecimento científico como de um conhecimento empírico a exemplo de tecnologias simples e rudimentares empregadas pelos agricultores e suas famílias no tratamento e utilização da terra. Assim sendo, quando propomos uma disseminação e/ ou popularização do conhecimento científico e de tecnologias que possam contribuir para processos capazes de melhorar a vida das pessoas intencionamos também resgatar as experiências e práticas bem sucedidas. 

[...]. Em muitos ambientes sociais rurais dominados pela prolongada ausência de homens, as mulheres tratam das questões de desmatamento, degradação do solo, escassez de água e poluição como parte de seu cotidiano. Elas reagem a aparentemente bem-intencionados, mas frequentemente ingênuos pacotes de desenvolvimento’ com perícia e engenhosidade [...] (BELL, 1996, p.207)[8]. 
Situações como esta abre a possibilidade de introduzir o conceito de cultura, definido como representante de elementos artísticos, científicos, religiosos e filosóficos de uma dada sociedade e, num sentido amplo, das técnicas, costumes e usos característicos da vida cotidiana. É considerada também como a socialização ou disseminação de fatos culturais via educação, meios de comunicação e difusão de informações em grandes escalas. Cultura é “todo o conjunto de regras e comportamentos pelos quais as instituições adquirem um significado para os agentes sociais e através dos quais encarnam em condutas mais ou menos codificadas” (JAPIASSU e MARCONDES, 1996, p.61)[9].
Segundo Santos, (1994), os meios técnicos “criados recentemente se tornaram mundiais, mesmo que sua distribuição geográfica seja, como antes, irregular e o seu uso social seja, como antes, hierárquico” trazendo como marcas a imprescindibilidade da ciência, tecnologia e informação (SANTOS, 1994, p.42)[10].
Importa a este trabalho a constatação de um período denominado por muitos de técnico-científico onde a tecnologia informacional particularmente assume grandes proporções, mas, sobretudo a observação de que apesar da difusão ser muito mais rápida em relação a períodos precedentes, as novas tecnologias são desigualmente distribuídas entre as diferentes escalas geográficas e no interior de cada uma delas.
As referências teóricas necessárias à fundamentação da proposta aqui colocadas são inúmeras, sendo apenas pontuadas nesse momento quando se estabelece compromisso de processualmente construí-las, destacando, todavia, o entendimento de que o meio informacional, a internet se tornou “mais do que um ambiente de acesso e uso da informação, mas também de compartilhamento, produção e disseminação de saberes”. (LOSSO E CRISTIANO, s/d, p.1)[11]

Esboçando uma metodologia e alguns encaminhamentos

Mais uma vez é mister enfatizar que a proposta encontra-se em construção dependendo para sua efetivação, dentre outros, da inserção, participação e aderência de setores sociais indiscriminados, especialmente dos segmentos universitários regionalmente localizados. No início da experiência referida montou-se ofícios, correspondências direcionadas a inúmeras repartições, apresentando a ideia, convidando e implorando contribuições para o amadurecimento e efetivação do instrumento, como poder-se-á observar nos anexos, sem contudo lograr êxito. O pouco que se fez resultou de iniciativa isolada sequenciada pela conclusão de que apenas ela não é (e nem era) suficiente para o alcance dos objetivos traçados. De qualquer forma, além da postagem de extratos de material construído ao longo da carreira discente, docente de geografia ensaiou-se alguns passos voltados aos links inicialmente descritos. No item divulgação de trabalhos acadêmicos, por exemplo, baixou-se pela internet teses e dissertações de professores de Geografia da UESB, promovendo leitura, resumo e agendando entrevista com apenas uma autora a fim de sistematizar e postar em uma ou duas laudas o cerne de seu trabalho, procedimento que inicialmente foi idealizado como capaz de dar conta do quesito. Mediante o descaso e embromação dos profissionais contatados viu-se obrigada a recuar, postando (neste formato) apenas uma única sistematização mesmo que sem o aval da professora, insistentemente cobrado.
Quanto à apresentação de programas e políticas públicas iniciou-se uma varredura de programas e convênios por município, disponibilizados pela CAR Companhia e Ação Regional, ligada à Secretaria de Planejamento do Estado da Bahia, quando se pôde identificar, particularmente, para o município de Aracatu o tipo de programa/ações executados, períodos e, os valores e beneficiários de cada um deles.
No tocante às realidades municipais limitou-se ao contato com a agremiação UPB (união ... baianos) solicitando parceria e contatos cabíveis, tornando público uma correspondência disponibilizando assessoria ou ajuda no concernente à redação e elaboração de documentos, projetos, pesquisas etc., caso se interessarem. Já se dispõe de banco de dados significativo de pelo menos os vinte e quaro municípios integrantes do Território de Vitória da Conquista, arregimentado na ocasião da elaboração do seu Estudo das Potencialidades Econômicas entendido como inapropriado para publicação em um mero blog, o que imediatamente propiciou a ideia de sua transformação para talvez um site (como referido).
Fato é que para além da elaboração e postagem de textos (habilidade disponível) a assessoria de profissional de informática que pudessem criar imagens, marcas, inserir fotos, mapas é imprescindível, o que pode ser viabilizado pela (s) universidade (s) com o mínimo de esforço.
No processo inicial de apresentação da proposta algumas ideias metodológicas foram captadas e/ou imaginadas, algumas bem valiosas como observa-se em trechos reproduzidos na sequência.

ANEXOS

I      

“Acho a proposta bem interessante. Poderíamos construir um espaço colaborativo em que houvesse possibilidade de interação e inserção de conteúdo de diferentes editores. 
Por exemplo poderia ficar com a edição de temas ligados a diversidade Étnico racial da região. Coletando material já publicado e atualizando com informações novas. 
Poderia ter editores para aspectos ligados a economia, aspectos geográficos etc. Mas editores com publicação na área e não "blogueiros"”

II
Vitória da Conquista, Bahia, 23 de julho de 2013
 Ao
Departamento de Geografia
Prof. Janio Diniz – Diretor

Caro professor,
Solicito de V.Sa. a discussão junto a plenária sobre a possibilidade do instrumento eletrônico, referido na correspondência a seguir, ser algo institucional através do Departamento de Geografia. Outrossim, informo que já enviei esta mensagem para alguns departamentos após sugestão de um professor que o compreendeu como dotado de caráter interdepartamental. Por diversas vezes, enviei versões apresentando-o e convidando ao estabelecimento de parceria para o DG e alguns de seus professores, sem, todavia, lograr êxito

..............

 

III

Ao refletir sobre a proposta de um blog/site com as características do que você já colocou na rede (ainda que de forma provisória), e tendo visitado o referido endereço eletrônico, tenho as seguintes considerações a fazer:
1) A iniciativa e louvável e pertinente, não somente como instrumento de divulgação da produção científica, mas também como fonte de pesquisa para consulta de estudantes, professores, pesquisadores e cidadãos, bem como um espaço de debate político mais qualificado no que se refere ao acompanhamento sistemático e discussão de projetos públicos e privados que dizem respeito ao recorte regional delimitado;

 

.....................

IV

Vitória da Conquista, 02 de dezembro de 2013

Aos alunos do curso de Geografia da UESB

Prezados,

Gostaria de convidar-lhes a desenvolver comigo o instrumento eletrônico referido a seguir e nas correspondências (anexas em apenas uma via) que atestam, parcialmente, a minha luta inicial para leva-lo adiante, período em que cheguei a realizar algumas simples publicações quando me sentia extremamente motivada, mas que após apatia de meus colegas que negaram e excluíram (preconceituosamente) o trabalho, usando como justificativa um burocratismo exacerbado me desestimulei, praticamente encerrando as ações.

Outrossim, informo-lhes que me encontro afastada oficialmente, após passar por depressão – pós morte marido – entendendo que tal condição não deveria ser um empecilho para que eu viesse a contribuir com o curso, possibilitando a minha gradativa reintegração

Atenciosamente

Vitória Carme

77 88721191


 

V

 

À

Sociedade regionalmente constituída em torno de Vitória da Conquista, Bahia.

Nome:___________________________________________________________

EMPRESA, ORGANIZAÇÃO E-OU INSTITUIÇÃO  QUE REPRESENTA________________________________________________________

 

Assunto: participação na criação e manutenção do site VITÓRIA DA CONQUISTA E REGIÃO.

Prezado Senhor,

Percebendo a importância de criação de mais um espaço de interação, discussão, divulgação, entre outros, de processos (problemas e potencialidades) e produtos pertinentes a realidade regional centralizada por Vitória da Conquista, convidamos V.Sa./setor que representa a participar da criação e manutenção de um site com tais propósitos.

A ideia surgiu no momento em que se percebeu que a sistematização e retroalimentação de informações referentes a essa realidade, construídas permanentemente, podem promover um salto de qualidade no seu desenvolvimento sócio espacial.

Como ponto de partida apresenta, aqui, conteúdos, imagens, estrutura de apresentação a serem desenvolvidas, as quais sugerem cortes, alterações, inclusão de novos itens a depender de vossas avaliações. Nesse sentido gostaríamos de obter sugestões concretas daquilo que vos parece imprescindível, nos colocando à disposição (em forma de parceria) para tentar viabilizá-las.

Informo-lhes, ainda, que inicialmente e de maneira muito embrionária criamos um blog com mesma denominação, estando nele postadas pequenas matérias (fruto de trabalhos desenvolvidos ao longo de nossa carreira profissional), que podem ser conhecidas pelo seu acesso (apresentação a seguir) mas que em virtude da superficialidade que denota as informações contidas em blogs e, acatando sugestão de empresa especializada em informática, decidimos substituí-lo pelo site aqui proposto.

..................

 

VI

 

Após tomar conhecimento das informações prestadas ao mesmo tempo firmando que seguirei todos os trâmites definidos coletivamente, me ocorreu algumas ideias que gostaria de submeter à sua apreciação.

1)      Se vai partir de um grupo de professores do DG, primeira tarefa enviar e-mail para todos falando do trabalho, algumas ideias preliminares, deixando claro a dinâmica, da (re) construção dos objetivos iniciais – portanto a importância de cada um na construção do0 projeto – algo de fato coletivo, indagando além da confirmação ou não de sua participação, o que sugerem tomando inicialmente os tópicos sugeridos. Ao confirmarem, que carga horária -  a mínima que for tipo um quarto de hora dia, semana, mês – ela pode dar – prazo p respostas e cumprimento da carga horária informada como critério para permanência no grupo.

2)      Após definir grupo emitiríamos oficio em nome de grupo, dupla ou outro – meu nome não deve aparecer nesses primeiros momentos, eu posso construir todos esses instrumentos (mensagens iniciais, endereços e, se for o caso eu até posso usar seu e-mail, ou melhor do DG para operacionalizar) porque tenho carga horária, diferente de você. A princípio você encabeça e na medida do possível tento aproximar de sua compreensão, eu posso revisar. Convidaríamos um grande número de pessoas, por parte – pode ser por etapa, inicialmente com os cursos – professores e alunos em diferentes momentos (um de cada vez). Por exemplo, semanalmente sensibilizar cursos da instituição – enviar e-mail, emitir e distribuir correspondências (notas) a fim de chegar a nomes que respaldem e/ou integrem ao grupo. Depois da UESB a gente começa mexer com as instituições externas a ela.  As notícias, informações serão processualmente publicadas.

3)      Sugiro que seja um trabalho essencialmente on line, que seja criado espaço comum de exposição, avaliação e definição entre a equipe executora.

4)       Que cada setor-segmento eleja um representante para responder questões pertinentes a cada um deles

 

 

Depois levanto mais questões, ex. que tipo de informação iniciaremos e tipos de atividades deverão ser desempenhadas para tanto.

 



[1] SINGER, T. Democratização do conhecimento, 2010. Acessado pela Wikipédia em 2013.
[2] SINGER, Op.Cit.
[3] SINGER, Op.Cit.
[4] SINGER, Op.Cit.
[5] JAPIASSU, H.; MARCONDES, D.  Dicionário básico de filosofia. 3 ed.. Rio de janeiro: Jorge Zahar Ed., 1996.
[6] JAPIASSU ..., Op.cit.
[7] SPOSITO, Eliseu Savério. Geografia e filosofia: contribuição para o ensino do pensamento geográfico. São Paulo: UNESP, 2004.
 
[8] BELL, Op.cit.
[9] JAPIASSU E MARCONDES, Op. Cit.
[10] SANTOS, M. Técnica espaço tempo: globalização e meio técnico-científico
[11] LOSSO, C. R. C.; CRISTIANO, M. A. da. Edublogs – construção e a disseminação do conhecimento de forma colaborativa e cooperativa. Acessado no ano de 2013 pelo Google.

DIVULGANDO A POLÍTICA TERRITORIAL DO BRASIL CONTEMPORÂNEO: REALIZAÇÃO DE EVENTOS

 

Resumo

 A proposta aqui configurada materializa-se na realização de seminários temáticos sobre o desenvolvimento territorial no Brasil de hoje, tomando como realidade concreta o Território da Região de Vitória da Conquista-Bahia (TRVC). Tem como público alvo os setores sociais e suas representações considerando a totalidade da sociedade regionalmente instituída. A idéia é divulgar, sensibilizar, dar conhecimento, discutir a relação de cada um dos participantes com esta política, apontando e convidando-os a incorporar e protagonizar o desenvolvimento do território em que se inserem, enfatizando a imprescindibilidade da participação social para a política de desenvolvimento territorial.
 Dito de outra forma, intenciona disseminar a política que deu origem ao TRVC entre não só os setores originalmente congregados, mas também e principalmente entre os demais setores sociais da região, de maneira que cada um deles reconheçam essa instituição como instrumento de organização social no nível regional capaz de promover o diálogo da sociedade civil com os níveis de governo estadual e federal. No caso estadual, sobretudo por ser a divisão em territórios a unidade geográfica adotada pelo Governo Baiano, por onde se sucederão as ações, programas e projetos da atual administração.
Como recurso metodológico o evento se dividirá em dois momentos:
a)      Palestras, exposições apresentação de documentos, preceitos fundamentais e ações que têm sido executadas;
b)      Divisão em grupo por setor ou temática, seguida de apresentação e discussão ampliada. 
Justificativas
O TRVC teve como marco inicial a reunião promovida do Pólo Sindical, em maio de 2005, quando se apresentou e discutiu-se o significado e perspectivas da proposta de desenvolvimento territorial. A partir daí desencadeou um processo de divulgação e convencimento dos representantes rurais acerca da ideia e princípios postos pela política, dando ênfase a esse conteúdo em todos os eventos ocorridos, a exemplo da III Semana da Agricultura Familiar em julho de 2005 e do Encontro de Avaliação do PRONAF, em novembro de 2005.
De 08 a 10 de novembro de 2005 ocorreu o Seminário Estadual de Desenvolvimento Rural: a contribuição da abordagem territorial, evento que esclarece ainda mais os propósitos da política, ratificando a ideia da necessidade de levar a diante o TRVC.
Com esse propósito entre 9 e 10 de dezembro de 2005 deu-se a realização de um Seminário Regional, em escala ampla, resultando daí a constituição do Território da Região de Vitória da Conquista. Nos primeiros meses do ano de 2006 vários seminários foram realizados em municípios estratégicos (Cândido Sales, Vitória da Conquista, Planalto, Caetanos) e, entre agosto e novembro do mesmo ano ocorreu a formulação e aprovação do Estatuto do TRVC. De lá para cá diversas atividades foram realizadas em assembleias bastante representadas, chegando à identificação e montagem de programas e projetos estruturais ao território como um todo.
Ainda que um determinado grupo tenha empenhado e dedicado na sustentação e andamento do TRVC, vale lembrar com dificuldades, sem nenhum tipo de recurso institucional, contando apenas com a colaboração de atores locais, a rede social que daí decorre continua frágil, necessitando de investimentos e ações de maneira a se fortalecer, para que se dinamize e amplie executando e operacionalizando os objetivos propostos.
Paralelo a esse quadro um outra justificativa plausível à realização do trabalho encontra-se no fato descrito pelo Governo do Estado no PPA 2008-2011, em relação a utilização dos 26 territórios da Bahia como unidade territorial prioritária a sua administração.

Como esses territórios foram originalmente delineados para atender a um Programa específico do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) cujo foco era a Agricultura Familiar, para que se defina e utilize os Territórios de Identidade como unidade de planejamento e de intervenção de políticas públicas é fundamental que se amplie e se aprofunde com as populações envolvidas a diversidade e a dinâmica econômica dos espaços rurais e urbanos em sua totalidade (PPA/BA, 2008-2011).

 Vale a pena destacar, por outro lado, que a ideia de realização desse trabalho tem como antecedente o trabalho de tese recentemente concluído, com apoio da FAPESB, onde se arregimentou informações sobre política territorial no Brasil e Bahia, especialmente na relação com o TRVC, material que será também recorrido na preparação do evento proposto, o que de certa forma oportuniza a realização plena da universidade, levando-a a desempenhar algumas de suas principais finalidades.
 A realização deste trabalho abre, assim, a perspectiva de formação de grupo de professores e alunos da UESB interessados e atuantes no vasto campo temático desenvolvimento territorial, local, sustentável, integrado, por meio da realidade regional de Vitória da Conquista.
Pressupostos teóricos
A visão chamada de territorial disseminada mais contemporaneamente privilegia a escala local e se insere num conjunto de novas vertentes conceituais, como o  de desenvolvimento (pensado como desenvolvimento sustentável),  de políticas públicas (não setoriais mas condizentes com os territórios e suas potencialidades por demais diversos no caso brasileiro), da integração sócio-terriotrial (necessidade de considerar os  fenômenos  por meio de múltiplas escalas) , da participação e gestão social como forma de empoderamento da sociedade, dentre outros.
 A participação social de forma geral e na gestão pública em particular é um pilar estrutural ao desenvolvimento territorial, havendo mesmo um consenso em torno do seu papel e significado frente as políticas públicas contemporâneas.

O debate sobre participação popular na gestão da coisa pública faz-se necessário à medida que cientistas políticos, gestores públicos enfim, cidadãos brasileiros aprofundam discussões sobre democratização. Atualmente vislumbra-se com mais intensidade a participação popular nos atos do governo pôr meio de programas públicos como os orçamentos participativos municipais (TAFURI, HERINGER, 1999, p.60).

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Paralelamente à crise enfrentada pelo Estado brasileiro, observa-se um redirecionamento das ações públicas para as esferas locais transferindo para os municípios a responsabilidade pelas políticas capazes de reverter a crise social e melhorar as condições de vida da população (SANTANA E SANTANA, 1999, p.66).

 

Os conselhos municipais, instituídos no contexto da descentralização administrativa, com a municipalização das políticas sociais, enquanto estratégias novas de gestão, têm como finalidade contribuir na gestão das políticas sociais, caracterizando-se como nova estratégia de articulação concertada entre Estado e sociedade (MASSOQUETTE ET ALL, 1999, p.74).

Quanto a variável territorial/espacial, constata-se uma relação intrínseca com uma nova concepção de desenvolvimento. Em primeiro lugar pela sua dimensão objetiva, pela sua materialidade, pela condição óbvia dos recursos naturais e fontes de energia. Por outro lado, a materialidade do espaço social se configura, também, como imprescindível para as dimensões, econômica, cultural e política (SOUZA, 1997). Nesse contexto,

A organização espacial precisa estar em consonância com as relações de produção e necessidades tecnológicas, com as relações de poder e com as representações sociais – enfim, com o imaginário instituído – de uma dada sociedade, e precisará ser modificado para adaptar-se a cada transformação social. [...] Se se quiser que o conceito assim renovado de desenvolvimento possua concretude e operacionalidade, é imprescindível não subestimar o espaço social como dimensão de análise, uma vez que a própria sociedade só é concreta com o espaço, sobre o espaço, no espaço ( p.29 e 32).

Ainda segundo Souza (1998), os estudos sobre o desenvolvimento privilegiaram excessivamente as escalas supralocais, tidas como mais adequadas ao enquadramento analítico e operacional de processos econômicos o que impediu a aproximação do quotidiano dos homens e mulheres reais. Somando-se a isso, o viés setorialista levou a desvinculação com o espaço social.
Pressupõe que a sociedade local é a principal conhecedora da realidade que a circunda e, portanto, capaz de levantar, conceber e acompanhar a execução de alternativas para o desenvolvimento de sua região.  Segundo Franco (2000) “o conceito de local adquire, pois, a conotação de alvo sócio-territorial das ações e passa, assim, a ser retrodefinido como o âmbito abrangido por um processo de desenvolvimento em curso” (p.27).
A SDT, partindo desse novo contexto teórico-conceitual, implementa o PRONAT justificado como um instrumento que rompe com a visão tradicional de desenvolvimento, por exemplo, ao privilegiar o setor rural a fim de dota-lo dos requisitos básicos “da produção, otimização de seus recursos próprios e da geração de riquezas, o que somente será viável se forem dinamizados seus próprios recursos humanos e naturais” (LEITE, 2007, p.140).  

É preciso que, na elaboração das políticas capazes de promovê-lo, se transforme as expectativas que as elites brasileiras têm a respeito de seu meio rural, cujo esvaziamento social, cultural e demográfico é visto como indicadores do próprio desenvolvimento. Muitos ainda não se deram conta de que as funções positivas que o meio rural pode desempenhar para a sociedade brasileira fundamentam-se no processo de descentralização do crescimento econômico e no fortalecimento das cidades médias (BRASIL, 2005).

 
O rural como atraso traduz numa concepção de desenvolvimento relacionada com o projeto ocidental conformada no binômio industrialização/urbanização, por demais criticada. Nesse caso,

  Continua igualmente vigoroso na mente oficial um compromisso de “desenvolver” a periferia através da influência modernizante e progressista de ciência e tecnologia ocidentais. [...] O status e autoridade da cultura, ciência e tecnologia ocidentais são fundamentais para o discurso sobre o desenvolvimento (Bell,1996, p.205 e 209).

Uma concepção de desenvolvimento mais ampla e democrática deve fugir da tirania do dualismo levando em conta geografias alternativas para além das divisões entre países e regiões pobres e ricos, do norte e do sul, do centro e da periferia, do sudeste e do nordeste, do sertão e da mata, do rural e do urbano, entre várias outras. (SOUZA, 1997) Deve, da mesma forma, resistir à desvalorização da ‘periferia’ ou do ‘marginal’ pelo centro metropolitano, questionando a superioridade da moderna industrialização e progresso tecnológico. (FORBES, 1989).

Objetivo geral
Discutir o desenvolvimento territorial do Brasil contemporâneo na (da) Região de Vitória da Conquista, Bahia
Objetivos específicos
Divulgar processos e ações realacionados ao desenvolvimento territorial contemporâneo, partindo do TRVC, realizando palestras e apresentações em lugares (instituições) publicos e privados diversos;
Retomar a questão regional no Brasil com destaque para os arranjos espaciais adotados na atualidade;
Dar conhecimento a comunidade municipal e por extensão regional, o significado e composição de diferentes regionalizações, contrapondo-as com a regionalização em territorios de onde se origina o TRVC;
Considerar que apesar da divisão da Bahia em 26 territorios ser o carro chefe do governo estadual poucos a conhecem e entendem o seu significado na trama política nacional, estadual e regional.

Referências bibliográficas

BELL, M. Imagens, mitos e geografias alternativas do Terceiro Mundo. In: GREGORY, D.; MARTIN, R.; SMITH, G. (orgs). Geografia humana: sociedade, espaço e ciência social. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor; 1996.
BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário-MDA; Secretaria de Desenvolvimento Territorial-SDT. Referências para uma estratégia de desenvolvimento rural sustentável no Brasil. Brasília: março de 2005
FORBES, D. K. Uma visão crítica do subdesenvolvimento. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.
FRANCO, A. de. Porque precisamos de desenvolvimento local integrado e sustentável. Brasília: Instituto de Política/Millenium, 2000.
LEITE, Sergio Pereira (coord). Inclusão sócio-econômica e desenvolvimento rural na Bahia: uma análise das políticas públicas. Rio de Janeiro: UFRJ/ICHS/DDAS/CPDA, 2007.
MASSOQUETTE, B. B. et all. Conselhos municipais: sua contribuição para o desenvolvimento local. In: VIII Colóquio Internacional sobre Poder Local. Salvador: UFBA, Escola de Administração, NPGA, NEPOL, 1999
SANTANA E. G. P., SANTANA, W. G. P. A conquista da cidadania: um estudo de caso do projeto “Conquista Criança”. In: VIII Colóquio Internacional sobre Poder Local. Salvador: UFBA, Escola de Administração, NPGA, NEPOL, 1999
SANTOS, V.C.C. Estudo das potencialidades econômicas do Território da Região de Vitória da Conquista. Vitória da Conquista: TRVC, MOC, MDA, 2007 (mimeo).
SANTOS, V.C.C. Políticas públicas e desenvolvimento na Região de Vitória da Conquista – Bahia: recortes e redefinições territoriais na ação do estado. Tese (Doutorado em Geografia). Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Sergipe. Aracaju, agosto de 2008 (mimeo.).
SOUZA, Marcelo L. de. Algumas notas sobre a importância do espaço para o desenvolvimento social. Território, ano II, n º 3, jul/dez, 1997.
SOUZA, Marcelo L. de. Desenvolvimento urbano: a problemática renovação de um “conceito”- problema. Território, ano III, n º 5, jul/dez, 1998.
TAFURI, S. A. A. HERINGER, R. R. Poder local e seus dilemas: limites e desafios da participação popular no direcionamento de políticas municipais. In: VIII Colóquio Internacional sobre Poder Local. Salvador: UFBA, Escola de Administração, NPGA, NEPOL, 1999.

 

POLÍTICA PÚBLICA E DESENVOLVIMENTO NA REGIÃO DE VITÓRIA DA CONQUISTA-BAHIA: RECORTES E REDEFINIÇÕES TERRITORIAIS NA AÇÃO DO ESTADO (TESE E ALGUNS DESDOBRAMENTOS)



 

SUMÁRIO GERAL

 

TESE.........................................................................................................................................02

 

DIVULGANDO A POLÍTICA TERRITORIAL DO BRASIL CONTEMPORÂNEO: REALIZAÇÃO DE EVENTOS E DISTRIBUIÇÃO DE CARTILHA - REGIONALIZAÇÕES APLICADAS AO ESTADO DA BAHIA........................................227

 

 

A DISSEMINAÇÃO E APLICAÇÃO DO CONHECIMENTO: REDE INFORMACIONAL, ASSESSORIA PERMANENTE............................................................................................280

 

 

A CULTURA ALIMENTÍCIA NA REGIÃO DE VITÓRIA DA CONQUISTA, BAHIA: RESGATE, ELABORAÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE DOCES ARTESANAIS.......294

 

POTENCIALIZANDO OS ESPAÇOS DA MORADIA EM COMUNIDADES RURAL, URBANA, SUBURBANA E ETC. PERTENCENTES À REGIÃO DE VITÓRIA DA CONQUISTA, BAHIA...........................................................................................................302

 

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Vitória da conquista: considerações paisagísticas

PAISAGISMO
Ultimamente tenho encafifado com um lance que tem muito mais a ver com minha amiga Queila, paisagismo na relação particular com a cidade de vitória da conquista, por isso, dando apenas uns pitacos, devendo minha inestimável e especialista amiga validar, propor, negar, debater o que aqui consegue-se pontuar.
É conhecimento comum, o fato de Conquista já ter sido um dia chamada de terra das flores, o que não dá direito para entender considerando que hoje ela está mais para terra do cimento, do concreto sendo suas áreas verdes, no geral, insignificantes e particularmente nas casas, ruas, quintais quase inexistentes tomando a cidade como um todo. 
Aliás, vem se notando que o cultivar plantas flores ornamentais ainda tem uma ínfima ocorrência , em grande maioria, nas casas, condomínios de classes sociais de maior poder aquisitivo maior, mesmo assim coisa muito em cima de plantas pequenas e médias sem, por exemplo, nem entre esses, plantar-se árvores nos passeios e ou interior das residências. Ao se referir à classe média em geral e os mais pobres em particular tal prática é deveras abominada. Será que tem a ver com a mercantilização das mudas sendo de difícil acesso ou será que tem mesmo a ver com a cultura, a falta de incentivo e disseminação da prática, a exemplo da Secretaria do Meio Ambiente que nega a doação a qualquer que seja o cidadão de um galho, por exemplo, de boa noite, aquela maravilhosa mais das banais florzinhas locais.
Pois é, como disse certa vez precisamos copiar os gringos, aqueles que seis meses devido ao rigor climático perdem seus jardins e que nos outros seis meses teimam em recuperá-los, que como disse um estudioso em se tratando dos bairros norte-americano: casa de campo para gente da cidade. Como esses, quero lançar a provocação e convite a parceiros para que mesmo modestamente consigamos reverter um pouco tal situação.
Na verdade queila é essa a intenção que você com o know how e moral que tem diante da comunidade conquistense (diferente de mim taxada como louca e marginal) me ajude nessa provocação de maneira que consigamos alguns resultados. Interessante que nesses dias estive no horto pedindo mudas de plantas, de preferências rústicas. O funcionário me disse que não se doa mudas de plantas , apenas uma muda de árvore. Na ocasião curti com a cara dele dizendo: dessa maneira você ou vocês me obrigam a roubar já que não me dão. Ele se retou e eu sarcasticamente disse: brincadeirinha........ Com o doce ou doces regionais, similarmente como intenciono com as plantas o apelo cultural é carro-chefe muito mais do que o econômico, já que sozinha, não por falta de buscar parceiros, até hoje mantenho a chama fabricando em quantidade irrisória mas constante. Na verdade, pago para não morrer a atividade, viro noites fazendo, sozinha, limpando toda a sujeira e na maioria das vezes dou, troco, sem ter nenhum lucro. Ainda bem que com as plantas tenho a sorte de ter você como amiga que sei que é de luta e de poucas conversas e mais ações (o que não é comum entre as pessoas ditas de bem) e para objetivar pensei (apenas pensei, o que é muito comum entre os loucos) iniciar um pequeno viveiro em terreno (condomínio de meu irmão), coisa bem pequena o que faria parte de um projeto que prevê ações como conversas distribuição de mensagens e panfletos, sobre o benefício, beleza, praticidade que tais plantas detém, culminando com distribuição de mudas gratuitas para segmentos pobres da cidade, ao mesmo tempo comercializando entre os que podem o que serviria de subsídio. As plantas seriam as mais simples e adaptadas possíveis. Tem coisa mais linda do que um canteiro ou caqueiro de margarida, por exemplo. Para mim é uma das mais lindas...........
Otima ideia Carmosa! Nos países mais "civilizados" existe um movimento chamado guerrilheiros verdes ou coisa assim. Eles saem na calada da noite e transformam terrenos baldios em lindos jardins, com plantas ornamentais e até comestíveis. Tem outro movimento que preparam bombas de sementes e jogam nesses lugares vazios. Com o período chuvoso essas "bombas" se transformam em plantas e povoam as encostas, etc. Ja pensou se essa moda pega?

Ainda sobre a ideia das plantas ornamentais. Endereço-me a queila, naia e lara pq foram as manifestantes mas a proposta que quero fazer não só deve como depende da incorporação de pessoas e mais pessoas.
Queilão tomando sua resposta sobre a necessidade de emplacar uma campanha penso que dia a dia a gente pode ir objetivamente lançando idéias, algumas que não se concretizarão e a partir daí pensar ações, propostas concretas que deveriam compor o que hora denomino projeto. Acho de imensurável potencial o uso de estudantes: Já pensou se conseguíssemos que alunos de disciplinas afinadas com a ideia de engenharia ambiental, geografia, agronomia e mesmo publicidade, químico, jornalista doassem o mínimo de tempo possível em ações que redundassem nos objetivos. A unidade - recorte de atuação pode ser diversa, dentre os quais, a casa, a rua, o quintal, o passeio, que deveriam ser eleitos e trabalhados segundo um cronograma e disposição de trabalho-tempo.........................
dever-se-ia prever reprodução de imagens
Precisávamos ver que recursos existem entre as instituições e em que medida são passíveis de captação.
A ideia extrapola por exemplo um programa flores da bahia que foca na comercialização de flores.
Não se descarta a possibilidade de geração de alguma renda mas os focos são variados, paisagístico, ambiental, embelezamento, cultural quiçá até nutricional, se incluíssemos como dito certa vez por grande agrônômo de sua geração Dú - se se pudesse manter em seu quintal 1 pé de brócolis, 1 de couve, 1 de pimentão e outros que esqueci estaria garantido uma dieta por todo o ano.....................................................
Creio amiga, que tem a ver com os dois: uma questão cultural, principalmente, e o preço das mudas. Lembro que quando fiz o censo demográfico urbano em bairros de periferia, via -se aqueles jardinzinhos populares abarrotados de 'comigo-ninguem-pode', lança-de-são-jorge, etc., todas ligadas a crendice popular de afastar maus-olhados, mas quase nenhuma arvore, ou no máximo, algumas bananeiras.
Talvez se houvesse uma campanha da prefeitura, universidade e outros órgãos competentes, esse quadro mudasse. Quem não gosta de plantas? Acho que a maioria.
Vamos espalhar essa campanha? Vou convocar o professor de floricultura e paisagismo da UESB, 
Alcebíades Rebouças, para engrossar esse caldo e fazer um trabalho com os alunos na conscientização popular, alem da distribuição de mudas.
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Queila Levinstone Essa ideia é ótima Carminha, usar o terreno pra fazer o viveiro de mudas. Vamos ver se a gente consegue mais gente pra engajar nessa campanha. Va juntando todo tipo de recipiente que possa ser usado para as mudas ( garrafas pet, de leite, etc), quem sabe dando o pontapé inicial consigamos mais recursos de outros lados?