segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Papeis das universidades que não são cumpridos: observações não consensuais



Sabemos que a universidade não é e nem deve ser uma entidade filantrópica, mas que é sua obrigação contribuir, intervir na realidade atuando, no mínimo, como disseminadora do conhecimento.
Ocorre, todavia, que no interior dessas instituições são instaurados, pelos seus profissionais, processos que restringem o acesso ao conhecimento, por diferentes fatores, dentre os quais, a propriedade intelectual exacerbada, temendo a cópia e preservando o ineditismo dos trabalhos realizados.
Poucos são os que entendem o sentido da doação na produção do conhecimento, somando-se o corporativismo e uma dose de preconceito, com posturas contraditórias ao pregarem algo e agirem de forma contrária.
A vivência particular nesse ambiente permite destacar atitudes corriqueiras. Como em toda sociedade, a aparência em detrimento da essência é o que predomina.
A formação de grupos fechados que não admitem a diversidade no agir e pensar é mesmo um câncer que legitima, por exemplo, a saída de um professor para pós- graduação que não sei por que razão é jubilado, sendo a ele oportunizado um segundo afastamento (integralmente) que ironicamente ainda é prorrogado.
Ou, por outro lado, professores carreiristas brigam por cargos de direção até adquirirem a estabilidade ou acréscimo no salário para sempre, quando passam a atuar perifericamente deixando de lado o empenho de outrora.
Além disso, grande parte dos profissionais não disponibiliza sua produção intelectual, impedindo a troca de ideias e consequente surgimento de novas.
Ao se tentar denunciar práticas mesquinhas como essas e tantas outras, taxam-se as pessoas de loucas, pondo-as a margem inviabilizando a carreira daqueles que despidos de malícias e estrategismos tentam agir.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

OS CONJUNTOS HABITACIONAIS IMPLANTADOS PELO BANCO NACIONAL DE HABITAÇÃO (BNH): VERDADEIROS VETORES NA ESPANSÃO URBANA DE VITÓRIA CONQUISTA




Os conjuntos habitacionais, resultantes da política habitacional do país encabeçada pelo Banco Nacional de Habitação (BNH), são decisivos na produção urbana de Vitória da Conquista. No Estado da Bahia, a URBIS (Habitação e Urbanização da Bahia S/A) associada ao BNH, construíram significativos conjuntos habitacionais. Em Vitória da Conquista iniciou-se nos anos de 1970 com a implantação dos conjuntos BNH e URBIS I, no Bairro Candeias. Neste bairro existem também os INOCOOPs (Cooperativa para Construção de Habitação Popular) I e II, construídos no início da década de 1980, quando vários outros foram edificados - URBIS II, III IV e V na direção da estrada que leva a Brumado; URBIS VI na saída para o município de Itambé.
Os primeiros conjuntos ocuparam uma zona residencial, potencialmente destinada à classe média (B.Candeias), confundindo aquilo que, simbolicamente, tem a ver com baixa renda (conjunto habitacional), e as residências de médio e alto padrão, edificadas nos seus interstícios.
 Com esses equipamentos a cidade teve suas extremidades dotadas de condições de habitabilidade, tais como: linhas de ônibus, redes de água, esgoto e iluminação, presença de moradores, entre outros aspectos, beneficiando-se, sobremaneira, loteadores e proprietários fundiários da ocasião.  
A reestruturação do SFH, e a extinção do BNH em 1986 (cuja atribuição foi transferida para a CEF e o Banco Central) provocaram mudanças estritamente financeiras, jogando por terra as esperanças alimentadas da casa própria. A CEF passou a gerir os programas de moradia popular, administrando as fontes orçamentárias  (FGTS e Caderneta de Poupança). A partir da constituição de 1988, a questão habitacional passou a ser atribuída a União, Estados e Municípios. Desenhou-se uma incipiente autonomização da Política Habitacional em resposta ao quadro de redução dos gastos federais, e os Estados passaram a destinar maiores recursos para este setor.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Região de Vitória da Conquista: sugestão para o consumo de doces típicos da região

 Gostaria de sugerir a todos  que ao realizarem algum evento que redundem em oferta de alimentos ou buffet deem prioridades, inicialmente no concernente aos doces, aos reconhecidos como regionais. Eu teria como sugestões para esse procedimento alguns passos: 1 no museu regional na praça Tancredo Neves tem um livro da falecida professora Amélia Barreto (disponível para xerox) A alimentação no Planalto de Conquista de 1930 a ... onde está contido série de receitas com tal perfil. Se quiserem entrar em contato comigo ou com grupo que pretendemos formar em breve poderemos providenciar os preparos ou se preferirem exemplificar a elaboração de alguns (passando as receitas). Não importa que doce seja se não soubermos elaborar buscaremos quem sabe e sem sombra de dúvida daremos conta. Agindo dessa formas estaremos priorizando um traço da cultura regional, contribuindo para perpetuar alimentos feitos por nossas mães, avós bisavós etc, dando oportunidade às gerações mais contemporâneas de aprenderem a gostar de delícias muito mais saudáveis do que os inúmeros pavês pudins, a base principalmente de leite condensado, creme de leite, chocolates etc. Ao invés destes só para exemplificar ligeiramente podemos degustar doce de abóbora, doce de banana em variados formatos, doce de mamão verde costurado, cocada de leite, cacau, gengibre, doce de leite com rapadura, diferentes compotas (desde pêssego até goiaba, manga, abacaxi etc) ou os doces cristalizados como genipapo, figo, laranja da terra etc etc etc

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

REGIÃO DE VITÓRIA DA CONQUISTA: IDENTIFICANDO ALGUNS CONCEITOS COMO ALICERCE PARA ESTE INSTRUMENTO ELETRÔNICO

 Em se tratando de um instrumento atrelado à uma instituição (no caso a UESB) que dentre outros objetivos está a produção do conhecimento científico e, mas particularmente, sendo uma iniciativa do Departamento de Geografia, que visa identificar, sistematizar e disseminar informações, optou-se por definir, sucintamente, os conceitos de ciência e cultura; esclarecer o  recorte territorial a que se volta, o qual, de imediato, o intitula (Região de Vitória da Conquista) e, ainda, discutir muito objetivamente o significado do tão propalado período técnico-científico.

A influência de Vitória da Conquista recai sobre uma ampla região, perpassando todas as regionalizações instituídas oficialmente. Para burlar tal situação, evitou-se a adoção de qualquer uma delas, recorrendo a uma escala territorial com contornos flexíveis ora abrangendo municípios mais diretamente influenciados ora abrangendo outros mais longínquos, mas que sob um ou outro ponto de vista interdepende com essa cidade. Se tomássemos a Região Sudoeste, por exemplo, estaríamos falando de 39 municípios que contempla os municípios de Jequié e Itapetinga, mas deixa de fora, paradoxalmente,  o município de Brumado. As microrregiões geográficas do IBGE, nesse caso a microrregião de Vitória da Conquista, do mesmo modo, não dá conta da influência da cidade, como tantas outras, inclusive a mais contemporânea, oriunda do MDA, divisão em territórios de identidade, contemplando o Território de Vitória da Conquista 24 municípios.

Os conceitos de ciência e cultura são tratados numa vertente mais moderna designando uma maior aproximação do cotidiano das pessoas o que contraria a visão  mais erudita. Em seu sentido amplo e clássico, a ciência é um saber  rigoroso, isto é, um conjunto de conhecimentos metodicamente adquiridos, mais ou menos sistematicamente organizados, e suscetíveis de serem transmitidos por um processo pedagógico de ensino. Mais modernamente, é a modalidade de saber constituída por um conjunto de aquisições intelectuais que tem por finalidade propor uma explicação racional e objetiva da realidade (JAPIASSU e MARCONDES, 1996, p.43)[1].
 
Ainda conforme estes autores, a compreensão de ciência não está desvinculada da técnica ou tecnologia voltada à explicação e aplicabilidade em situações reais. Num período precedente a ciência era totalmente desvinculada do plano real restringindo ao nível teórico enquanto saber metódico e absolutamente verdadeiro. “[...]. As ideias científicas não são totalmente independentes da filosofia, da religião e das ideologias que impregnam o meio em que vivem os pesquisadores” (JAPIASSU e MARCONDES, 1996, p.44).

Popper (appud Sposito) defende a utilização ortodoxa do método. [...] procura consolidar a força do positivismo lógico, voltando a uma postura cartesiana de ciência. [...] Feyerabend, por sua vez, pensa de uma maneira exatamente contrária. [...] o rigor metodológico é muito mais um problema que um caminho para a produção científica (SPOSITO, 2004, p. 50)[2].

A técnica por outro lado define-se como um conjunto de procedimentos utilizados em busca de certos resultados que, também nesta proposta é entendida tanto como resultante de um conhecimento científico como de um conhecimento empírico a exemplo de tecnologias simples e rudimentares empregadas pelos agricultores e suas famílias no tratamento e utilização da terra. Assim sendo, quando propomos uma disseminação e/ ou popularização do conhecimento científico e de tecnologias que possam contribuir para processos capazes de melhorar a vida das pessoas intencionamos também resgatar as experiências e práticas bem sucedidas. 
[...]. Em muitos ambientes sociais rurais dominados pela prolongada ausência de homens, as mulheres tratam das questões de desmatamento, degradação do solo, escassez de água e poluição como parte de seu cotidiano. Elas reagem a aparentemente bem-intencionados, mas frequentemente ingênuos pacotes de ’desenvolvimento’ com perícia e engenhosidade [...] (BELL, 1996, p.207)[3]

Situações como esta abre a possibilidade de introduzir o conceito de cultura, definido como representante de elementos artísticos, científicos, religiosos e filosóficos de uma dada sociedade e,  num sentido amplo, das técnicas, costumes e usos característicos da vida cotidiana. É considerada também como a socialização ou disseminação de fatos culturais via educação, meios de comunicação e difusão de informações em grandes escalas. Cultura é “todo o conjunto de regras e comportamentos pelos quais as instituições adquirem um significado para os agentes sociais e através dos quais encarnam em condutas mais ou menos codificadas” (JAPIASSU e MARCONDES, 1996, p.61)[4].
Segundo Santos, (1994), os meios técnicos “criados recentemente se tornaram mundiais, mesmo que sua distribuição geográfica seja, como antes, irregular e o seu uso social seja, como antes, hierárquico” trazendo como marcas a imprescindibilidade da ciência, tecnologia e informação (SANTOS, 1994, p.42)[5].
Importa a este trabalho a constatação de um período denominado por muitos de técnico-científico onde a tecnologia informacional particularmente assume grandes proporções, mas, sobretudo a observação de que apesar da difusão ser muito mais rápida em relação a períodos precedentes, as novas tecnologias são desigualmente distribuídas entre as diferentes escalas geográficas e no interior de cada uma delas.



[1] JAPIASSU, H.; MARCONDES, D.  Dicionário básico de filosofia. 3 ed.. Rio de janeiro: Jorge Zahar Ed., 1996.
[2] SPOSITO, Eliseu Savério. Geografia e filosofia: contribuição para o ensino do pensamento geográfico. São Paulo: UNESP, 2004.

[3] BELL, Op.cit.
[4] JAPIASSU E  MARCONDES, Op. Cit.
[5] SANTOS, M. Técnica espaço tempo:globalização e meio técnico-científico

REGIÃO DE VITÓRIA DA CONQUISTA: TENTATIVA DE ESTABELECIMENTO DO PÚBLICO-ALVO A QUE SE DESTINA ESTE INSTRUMENTO

Objetiva-se alcançar milhares de pessoas tendo em vista que o meio eletrônico é livre para ser acessado por quantos se interessarem. Ainda assim, a ideia é voltar a determinados setores socialmente organizados. Num primeiro momento visa às organizações sociais de agricultores familiares (associações, sindicatos etc) compreendendo que pelo perfil majoritariamente rural, especificamente da agricultura familiar quando se reporta à região em torno de V. C. (ainda que não absolutamente face à população do município polo) e que ao mesmo tempo representa um dos segmentos regionais mais frágeis, a identificação de instrumentos como financiamento, pesquisas e publicações, dados e exemplos de experiências exitosas estão na mira das ações que se desenvolverão. Mesmo assim, o leque do público alvo é amplo envolvendo por exemplo alunos e professores pertencentes desde o ensino fundamental até os pós-graduandos das diversas universidades regionais. O empresariado e poder público local não pode ser posto de fora  sendo, inclusive, intenção criar um link onde se levante questões, dúvidas e informações específicas às necessidades de cada segmento, de forma a direcionar e potencializar as publicações executadas. Em se tratando do poder público municipal, além de prever a apresentação de indicadores diversos por município, a ideia é está buscando, processualmente, os consórcios e-ou congregações municipais como a AMVAGRA, AMIRS, UPB, CNM identificando as pendências financeiras e documentais que por ventura estejam emperrando o deslanchar de projetos e ou processos cabíveis a cada um deles. Nesse contexto, grupos de jovens, de mulheres também representam focos de atenção. Enfim, como já dito, o público a ser atingido é amplo e, de certa maneira, indefinível.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia: informações emitidas em 2008*

O surgimento da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia ocorreu a partir da política de interiorização do Ensino Superior, disposta no Plano Integral de Educação do Governo do Estado no ano de 1969, com a instalação das Faculdades de Formação de Professores, nos municípios de Vitória da Conquista, Jequié, Feira de Santana e Alagoinhas.  A Uesb é uma instituição vinculada à Secretaria da Educação do Estado da Bahia, com autonomia didático-científica, administrativa, financeira, patrimonial e disciplinar, de acordo com a Constituição Federal de 1988, e da Lei nº. 9394/1996 (Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional).
Instituída pela Lei Delegada nº. 12 de 30/12/1980, autorizada pelo Decreto Federal nº. 94250 de 1987, e credenciada por meio do Decreto Estadual 7344 de 1998, a Uesb teve sua estrutura administrativa alterada pela Lei 7176/97 e Decreto 7329/98, que aprova o novo regulamento da universidade. E por fim, o seu credenciamento, legitimado pelo Decreto Estadual nº. 7.344/98. Trata-se de uma instituição Autárquica, de Direito Público e Regime Especial de Ensino, Pesquisa e Extensão, de natureza multicampi, funcionando nas cidades de Vitória da Conquista, Jequié e Itapetinga, com sede administrativa e foro em Vitória da Conquista-BA, município esse que compreende onze distritos e possui uma população de 308.204 hab. (IBGE, 2007). Tem como missão "realizar com efetividade o ensino, a pesquisa e a extensão, produzindo, sistematizando e socializando conhecimentos para a formação de profissionais-cidadãos, visando à promoção do desenvolvimento humano."
Ao longo da sua história, a Uesb se solidificou como uma importante instituição de ensino na região sudoeste da Bahia, e conta com 36 cursos de graduação nos três campi. Na estrutura funcional, apresenta um quadro de cerca de oito mil estudantes nos três campi; oitocentos e um docentes; e quatrocentos e dois técnico-administrativos. A qualificação dos docentes do quadro estatutário da Uesb se apresenta da seguinte forma: 199 doutores e pós-doutores; 370 mestres; 226 especialistas; e 6 graduados, totalizando 801 docentes (UESB/PPG/2008).
 Na pós-graduação, possui cinco mestrados próprios em curso nas áreas de Ciências Agrárias e Sociais e um doutorado em zootecnia, em nível stricto sensu. Conta, ainda, com aproximadamente 10 cursos de pós-graduação em nível lato sensu em diversas áreas do conhecimento.  
Em consonância a tais proposições os departamentos acadêmicos e setores administrativos desenvolvem programas educativos voltados para a comunidade acadêmica, tendo apresentado no ano de 2006, cerca de 211 propostas de atividades de extensão, sendo que 116 dessas se caracterizaram como ações contínuas; 105 projetos; 11 programas; e 95 como ações esporádicas além de eventos e cursos nas áreas de Educação e Desenvolvimento Social; Comunicação; Cultura e História; Saúde e Bem-Estar Social; Direitos Humanos e Justiça; Meio-ambiente e Sustentabilidade; Trabalho e Políticas Públicas; Tecnologia; e Produção.

Além dos projetos que concorreram a financiamento interno, mais 29 foram apresentados para cadastramento sem ônus para a instituição, totalizando 240 propostas apresentadas até agosto/06. Inúmeros trabalhos de pesquisa e extensão são desenvolvidos, logrando pleno êxito. Ressaltamos que existe em andamento 343 projetos de pesquisa, mediante parcerias com vários municípios da região do sudoeste da Bahia, ora de cooperação técnica, ora científica, o que vem demonstrar o alto grau de compromisso social da instituição, em atender às demandas da sociedade civil, bem como, do mercado de trabalho, contribuindo, assim, para o desenvolvimento local e regional do Estado.

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*Informações prestadas pela AGESPI, como uma das exigências do projeto Desenvolvimento local com ênfase na segurança alimentar e nutricional: estratégias de mobilização, diagnóstico e planejamento no (do) Território de Brumado, Bahia (área prioritária do CONSAD), voltado ao  Edital MDS/CNPq/ Nº 038/2008 – Seleção Pública de Propostas para apoiar projetos multidisciplinares que desenvolvam diagnósticos e planejamentos territoriais por meio de ações de extensão universitária, visando a promoção de segurança alimentar e desenvolvimento local em territórios prioritários no âmbito do CONSAD – Consórcios de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local
 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Vitória da Conquista e Região: relações estabelecidas por meio do sistema de saúde[1]

A tese em análise O espaço em movimento: o desvelar da rede nos processos sociotécnicos do sistema de saúde de Vitória da Conquista, Bahia”, teve como objetivo principal a investigação das relações entre os municípios polarizados por Vitória da Conquista a partir do sistema de saúde. Utiliza o conceito de redes como estrutural reconhecido como o que mais se adéqua à apreensão dos fluxos estabelecidos entre as pessoas, os profissionais, os lugares nesse contexto. Conforme descrito, “mediante as redes, há uma criação paralela e eficaz da ordem e da desordem do território, já que as redes integram e desintegram, destroem velhos recortes espaciais e criam outros” (SANTOS,2004 appud FERRAZ, 2009, p. 66). Percebeu-se assim que o fenômeno estudado é de difícil delimitação territorial, não permitindo contornos rígidos, nem contiguidade espacial, o que coloca, para a autora, a necessidade de se repensar o conceito de região[2].
Na análise realizada, coloca-se a década de 1990, como o período em que o Estado da Bahia investiu em grandes unidades hospitalares, como o Hospital de Base, quando se deu, também, a modernização do Hospital São Vicente, a instalação de novos serviços no SAMUR, a reforma do Afrânio Peixoto, as  inaugurações do AMIC, no Bairro Brasil, do IBR, do PROCORDIS e da clínica de Oncologia. Dessa forma, nas duas últimas décadas do século XX e início do XXI a incorporação de tecnologia na saúde de Vitória da Conquista foi intensa.
Percebeu-se que a maior parte dos equipamentos pertence a iniciativa privada, sendo que das 354 unidades existentes, 76% são privadas e 24% estatal. Paradoxalmente, o Estado por meio do recurso do SUS é que mantém os hospitais e clínicas particulares, haja vista que “como não há infra-estrutura hospitalar suficiente para atender a demanda da população, o Estado contrata o serviço de hospitais particulares” (p.84)
A política estadual de saúde da Bahia é executada por meio da divisão em macrorregiões, denominadas Nordeste, Sul, Extremo Sul, Sudoeste, Oeste e Norte. A macrorregião Sudoeste[3], por sua vez, é composta pelas microrregiões de: Brumado (21 municípios), Vitória da Conquista (21 municípios), Guanambi (20 municípios), Itapetinga (11 municípios).
Para além dessa regionalização existe o processo de pactuação estabelecido entre os municípios que significa transferência de recursos de acordo os serviços pactuados. Ocorre que cada município tem autonomia para pactuar ou não dentro de sua região, Assim, existem municípios que fazem parte da macrorregião, mas não pactuaram com o município de Vitória da Conquista; municípios externos à macrorregião que pactuaram; alguns que pactuaram em número reduzido, enquanto outros em maior quantidade.
Constatou-se que a pactuação define apenas, em parte, o fluxo entre as cidades, sendo as pessoas e suas iniciativas que ditam o resultado final, pois não raramente desconsideram os acordos pré-estabelecidos.
Concluiu-se, também, que serviços particulares e de convênios geram fluxos entre as cidades numa lógica de demanda espontânea, enquanto os decorrentes do SUS geram demandas referenciadas. A rede, assim, exprime relações entre os municípios que indica arranjos espaciais descontínuos como já enfatizado.
Com base na regionalização aludida, Vitória da Conquista polariza aproximadamente 1.800.000 habitantes, número que para o setor privado é bem maior. Segundo a autora a saúde-doença é uma mercadoria lucrativa e objeto de disputas e interesses indiscriminados.
Entre as microrregiões de Brumado, Guanambi, Itapetinga e Vitória da Conquista é possível dizer que em Vitória da Conquista existem equipamentos que atendem problemas que requerem soluções de alta complexidade, enquanto nas demais apenas de média complexidade.Das unidades de saúde de Vitória da Conquista 76,8% prestam serviços de média complexidade; 9,8% de alta complexidade; e 12% de atenção básica (p. 84)
A relação entre o município de Vitória da Conquista e os de seu entorno apesar de em certos casos onera-lo tendo em vista que quando se trata de procedimento de urgência independente de acordo, ou pacto é obrigado a atender, acaba sendo um processo centralizador, pois é nele que estão tanto equipamentos quanto profissionais especializados, drenando para si grande parte da renda e mantendo um grande fosso para com as demais realidades municipais da região, conforme pode ser observado a seguir:
“A oferta de serviços de saúde que se concentra em Vitória da Conquista é muito desigual em relação aos demais municípios da região. Embora as demandas estejam espalhadas no território é em Vitória da Conquista que se concentram equipamentos e unidades que o qualifica como município-polo de macrorregião de saúde [...]” (p.28).
Os resultados alcançados com o trabalho são de grande valia, destacando, neste momento, a oportunidade criada para uma ponderação sobre a questão regional em torno de Vitória da Conquista. Evidencia como o espaço é banalizado na concepção e execução das políticas públicas, em geral, restringindo-se a divisões territoriais elaboradas indiscriminadamente a depender dos interesses envolvidos (e não como quer SERPA, Angelo já mencionado).




[1] Resenha da tese da Professora Ana Emília de Quadro Ferraz, intitulada: O espaço em movimento: o desvelar da rede nos processos sociotécnicos do sistema de saúde de Vitória da Conquista, Bahia”, defendida em 2009 na Universidade Federal de Sergipe

[2]  Em nossa avaliação a adoção do conceito de rede não significa que o de região não dá conta da análise desse e de outros fenômenos. Ver SILVA. J. B. da. Pelo retorno da região. In: CASTRO, Iná E. et alli. Redescobrindo o Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000.
[3] Divisão territorial que vai de encontro a SERPA, Angelo; MONTEIRO, Júlia. Políticas de desenvolvimento territorial e cultural no território de Vitória da Conquista: uma análise geográfica da lógica de localização de projetos. Goiânia: Revista eletrônica Ateliê Geográfico v.5, n.3, 2011, onde se coloca que “a nova regionalização do Estado da Bahia [...] visou a articulação das políticas estaduais no âmbito das diversas secretarias a partir de uma mesma regionalização” (p.154-155), a de Territórios de Identidade (grifo meu)

Vitória da Conquista e Região: correspondência enviada a diversos departamentos da UESB convidando à parceria na disseminação do conhecimento produzido


Assunto: divulgação entre professores e alunos, convite à parceria, solicitação de sugestões e críticas no processo de criação e manutenção de um espaço eletrônico, denominado Vitória da Conquista e Região
Assunto: divulgação entre professores e alunos, convite à parceria, solicitação de sugestões e críticas no processo de criação e manutenção de um espaço eletrônico, denominado Vitória da Conquista e Região

Prezados senhores, há alguns meses estou titubeando na manutenção de um blog denominado Vitória da Conquista e Região, com o seguinte endereço eletrônico: regiaovitoriadaconquista.blospot.com.br, em processo de transformação para um site. Além da intenção de se apresentar instituições governamentais (ou não) e seus programas executados na região (o que já vem sendo realizado) e; da exposição de perfis de realidades municipais integrantes do mesmo recorte; uma das grandes metas é publicar extratos (numa linguagem corriqueira) de trabalhos científicos (ou não) que tem como objeto de análise a  região.
Estou necessitada de parceiros, solicitando, a princípio sugestões, críticas, bem como indicações de como ter acesso às publicações da instituição, as quais, dentre várias alternativas, idealizei a realização de entrevistas com os autores para publicação.
A denominação Região de Vitória da Conquista tem como propósito não adotar nenhuma regionalização oficial (ver postagem região: recorte de difícil delimitação).
 O projeto não pode e nem deve ser individual, sendo demasiadamente importante a apropriação por vocês, o que permitiria grande salto na disseminação do conhecimento entre os setores sociais instituídos na região. Mesmo porque as metas estabelecidas são de grande envergadura necessitando de apoio institucional tanto na montagem e estruturação do site, como na disposição de pessoas (discentes, por exemplo) em sua execução. Penso, inclusive, que deve ser um projeto interdepartamental, dependendo para isso, apenas de  uma sinalização dos diretores e membros de cada um dos departamentos.
Preliminarmente enviei uma apresentação (em construção permanente) para diversos setores e instituições que de alguma forma estão presentes na região. Na ocasião convidei ao estabelecimento de parceria, dei conhecimento, pedi sugestões, solicitei divulgação etc. A seguir reapresento o texto originalmente enviado:



1) APRESENTAÇÃO PRELIMINAR DE UM INSTRUMENTO ELETRÔNICO DE COMUNICAÇÃO COM FINS MERAMENTE SOCIAIS – enviada a diversas instituições
 A produção que realizei ao longo de todos os meus anos (sendo aluna da primeira turma de Geografia da UESB, 1985 e, concluído o Doutorado em Geografia, 2008); a paixão que possuo pela ciência geográfica e, o compromisso com a região em torno de Vitória da Conquista me fizeram montar embrionariamente uma espécie de  blog denominado Vitória da Conquista e região, conforme apresentação que se segue, o que deve se transformar num site. Como pode-se observar as postagens são textuais, por amadorismo informacional, já dispondo de grande quantidade de figuras para serem inseridas.
Tem como objetivo criar um espaço de discussão em torno dessa realidade, a qual nos parece bastante rica em acontecimentos e ao mesmo tempo pouco assistida se se considera um posicionamento desligado de grupos ou subgrupos quer queira político, empresarial, religioso, entre outros. Ainda mais considerando a dimensão e diversidade, afirmando alguns que compreende uma população de mais de dois milhões de habitantes. Dentre algumas ações que se pretende está:  socialização do conhecimento, análise crítica de ações governamentais, atualizando constantemente as concepções e práticas implementadas por ministérios e secretarias  de governo; divulgação de propostas (editais) condizentes com  a realidade; ser um espaço de comentários, de  trocas de informação, de publicidade de trabalhos científicos e não, experiências bem sucedidas, como as desenvolvidas pela UESB; busca de instituições nacionais (Universidades, órgãos de fomento a pesquisa e extensão, instituições de pesquisas , como a EMBRAPA etc etc ) e internacionais; relato de experiências de  segmentos sociais regionalmente constituídos; orientações sobre elaboração de propostas (Contribuição na elaboração do documento) a serem encaminhadas às mais diferentes instituições, pelos atores regionais, a exemplo de prefeituras e  organizações sociais  e, outras que de delinearão à medida que for sendo tomado conhecimento e, por ventura sejam estabelecidas  parcerias diversas .



2) IDEIAS DE LINKS QUE COMPORÃO EM BREVE O SITE (em construção)
HOME
PUBLICAÇÕES: teses, dissertações, monografias, projetos elaborados, textos diversos, revisões bibliográficas, trabalhos sobre a região
INSTITUIÇÕES: Governamentais ou não, organizações sociais, programas executados e em andamento por município
MUNICÍPIOS: indicadores; perspectivas

3)Título de publicações realizadas até o momento
16.04.13
Apresentação do blog
16.04.13
Tese de Doutorado
17.04.13
Uma experiência que merece continuação
17.04.13
Região como um recorte de difícil delimitação: o caso da de Vitória da Conquista
18.04.13
Juventude e economia solidária
18.04.13
Rearranjos territoriais no Brasil, Bahia contemporâneos
18.04.13
Principais regionalizações aplicadas ao Estado da Bahia (de 1946 aos dias atuais): necessidade de contribuições (particularmente cartográficas) para publicação do material levantado
19.04.13
Proposta de contribuição às organizações sociais e poder público da Região de Vitória da Conquista e demais regiões baianas
22.04.13
Caatiba e Bom Jesus da Serra-Bahia: realidades que fazem cair por terra o binômio seca x pobreza
22.04.13
A Constituição Federal de 1988 retrocedeu no quesito Reforma Agrária
22.04.13
Ideia de um projeto Adote um Município
24.04.13
Carta ao Mestre
24.04.13
Mapeamento das condições sócio-espaciais do município de Vitória da Conquista-Bahia: um projeto de pesquisa que imprescinde de parceria
25.04.13
Linhas de financiamento para o pequeno agricultor nordestino atingido pela seca
26.04.13
Iniciando uma série de apresentações objetivas sobre conceitos e metodologias aplicadas nos programas governamentais contemporâneos
26.04.13
Série de discussão teórico metodológica nas ações estatais – breve trajetória do conceito de desenvolvimento
27.04.13
Cadastro Único de Convênios: maior número de municípios com restrições
03.05.13
Receitas de doces regionais
03.03.13
Contribuição ao segmento discente das universidades de Vitória da Conquista e região
07.05.13
A cidade e região de Vitória da Conquista Bahia
14.05.13
Resgate de regionalizações aplicadas ao Estado da Bahia: as microrregiões do IBGE
14.05.13
Resgate de regionalizações aplicadas ao Estado da Bahia: microrregiões homogêneas revisão das zonas fisiográficas
14.05.13
Resgate de regionalizações aplicadas ao Estado da Bahia: microrregiões geográficas, revisão das microrregiões homogêneas
15.05.13
Doces artesanais típicos da Região de Vitória da Conquista, Bahia
24.05.13
É grande o número de fóruns, conferências, conselhos, consultas etc., onde os movimentos e organizações são chamados a participar na formatação das políticas públicas
28.05.13
Políticas Públicas: esquema elaborado pelo Professor Renato Leda
29.05.13
Criação de organismo de produção e difusão do conhecimento geográfico na Região de Vitória da Conquista, Bahia
03.06.13
O Estado da Bahia sob o ponto de vista regional
03.06.13
Região de Vitória da Conquista, Bahia: algumas informações sobre a lavoura cafeeira
03.06.13
Região de Vitória da Conquista, Bahia: traços ambientais
03.06.13
Região de Vitória da Conquista, Bahia: especificidades culturais
08.06.13
A alimentação da geração contemporânea: o que não tem sido dito
09.06.13
Região de Vitória da Conquista, Bahia: um espaço eletrônico em permanente (re) criação
11.06.13
Jabuticabas
13.06.13
Região de Vitória da Conquista, Bahia: indicação de trabalhos científicos
15.06.13
O pensa, amadurecer e executar ideias como passos à felicidade e realização humana
15.06.2013
Etapas da construção do município de Vitória da Conquista
16.06.2013
Secretaria de Planejamento do Estado da Bahia: dinâmica histórica
16.06.2013
Secretaria de Planejamento do Estado da Bahia: finalidade e competência
16.06.2013
Estado da Bahia: território de identidade como regionalização adotada no planejamento contemporâneo
16.06.2013
Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional – CAR: apresentação
16.06.2013
CAR: Programa de Combate à pobreza rural - PRODUZIR
16.06.2013
CAR: Programa de Desenvolvimento de comunidades rurais nas áreas mais carentes do Estado da Bahia – GENTE DE VALOR
16.06.2013
CAR: Programa de conservação e gestão sustentável do bioma caatinga – MATA BRANCA
16.06.2013
CAR: Programa de inclusão das comunidades remanescentes de quilombos – QUILOMBOLAS
16.06.2013
CAR: Programa Vida Melhor
20.06.2013
As regionalizações aplicadas ao Estado da Bahia: as aberrações e total falta de rigor presentes em trabalhos “científicos”
21.06.2013
Vitória da Conquista e Região: informações sobre a ocorrência do Projeto de Desenvolvimento Comunitário da Região do Rio Gavião – Pró Gavião
23.06.2013
Vitória da Conquista e Região: perfil das ações implementadas pelo PRODECAE em Aracatu (um dos oito municípios da região contemplados pelo programa)
23.06.2013
Milton Santos: reflexões pertinentes às manifestações sociais no Brasil de junho de 2013
26.06.2013
Vitória da Conquista e Região: comunidades quilombolas, por município
30.06.2013
Vitória da Conquista e Região: levantamento parcial de programas da CAR (em execução) e de realidades municipais atendidas
05.07.2013
Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola S.A. (EBDA)
12.07.2013
A região como temática inerente à geografia: contribuições de especialistas
12.07.2013
Frutas na medicina natural
12.07.2013
Evolução do município brasileiro
12.07.2013
Região de Vitória da Conquista: proposições diante da fragilidade as assistência técnica
25.07.2013
Geleiras
25.07.2013
Ganges
25.07.2013
Gales
25.07.2013
Geada
25.07.2013
Gêiser
25.07.2013
Convite para participação de workshop: início do projeto: “A cultura alimentícia da Região de Vitória da Conquista, Bahia: resgate, elaboração e comercialização de doces artesanais”

Atenciosamente
Vitoria Carme C. Santos
Professora do DG – afastada

77 88213255